Os Três Crivos

quarta-feira, novembro 11, 2015 Unknown 0 Comentários

Certa vez, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:
 Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te em particular...
 Espera!  ajuntou o sábio prudente. Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?
 Três crivos? – perguntou o visitante, espantado.
 Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto aquilo que pretendes comunicar?
 Bem  ponderou o interlocutor  assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e... Então...
 Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bom o que queres me contar?
Hesitando, o homem replicou:
 Isso não... Muito pelo contrário...
 Ah! – tornou o sábio – então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.
 Útil?!... – aduziu o visitante ainda agitado – Útil não é...
 Bem – rematou o filósofo num sorriso  se o que tens a confiar não é Verdadeiro, nem Bom e nem Útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificação para nós...

Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questões de maledicência...

Autor: Irmão X
Psicografia de Chico Xavier

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