Medo da morte
Não tenho medo da morte
Sei que ela chegará um dia
Como também chegou a vida
Vestida numa linda fantasia.
Como também chegou a vida
Vestida numa linda fantasia.
Não tenho medo da morte,
Pois a morte é mistério e poesia
Discutida pela religião e pela filosofia,
Mas presente em nosso dia a dia.
Não tenho medo da morte
A morte é da vida o grande mistério
Amiga não venha ainda te peço,
Mas um dia com certeza te quero.
Não tenho medo da morte
A morte não começou em mim,
Mas um dia a mim terminará,
E me dará cabo, me dará fim.
Não tenho medo da morte,
Sei que um dia ela chegará um belo dia
Num singelo e singular momento
Cheia de sentimento e fantasia.
Sei que um dia ela chegará um belo dia
Num singelo e singular momento
Cheia de sentimento e fantasia.
Não tenho medo da morte,
Pois a morte é vida e poesia
É também a lógica da vida,
Que move a religião e a filosofia.
Não tenho medo da morte,
Embora a morte seja desejada,
Em certos momentos da vida
A morte também é festejada.
Não tenho medo da morte
A morte não deve causar tristeza
A morte é o extremo da vida
A morte é da vida a única certeza.
Não tenho medo da morte,
Porque não tenho medo da vida
Viver é caminhar para a morte
É o destino do homem, é sua sorte.
Porque não tenho medo da vida
Viver é caminhar para a morte
É o destino do homem, é sua sorte.
Não tenho medo da morte
Sei que ela chegará um dia
Cheia de mistério e fantasia
Para tocar a última melodia.
Chico Feitosa. Poemas e Letras, p. 74 e 75.












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